quinta-feira, 29 de julho de 2010

A primeira ou da experiência

Da janela do ônibus ela observava o mundo. Cada pedacinho dele. O tempo ia passando e pela janela do ônibus ela continuava a olhar, e olhar e achar coisas novas. E no final, comendo um pedaço de bolo ela lembrava das estradas por onde tinha passado.
Se casou cedo, como era comum na época. Teve três filhos e um casamento feliz até a primeira traição. E a segunda, e na terceira, cansada de mentiras, e com a força que até hoje ela não sabe de onde tirou , mas que todo mundo vê estampada em seu rosto, se separou.
Ficou sozinha com sua dignidade e com seu amor próprio. Melhor escolha não podia mesmo ter feito. Arrumou um primeiro emprego, um segundo, um terceiro, foi promovida. Mudou de cidade. Fez amigos. Imagina, ela, fazendo amigos! Dançava toda sexta-feira, e aos sábados ia à praia. Enfrentou com garra notícias chocantes, fez-se de cega algumas vezes, foi dura outras tantas. Perdeu a fé na dor, e recuperou na mesma dor. Cresceu.
Virou quem hoje é mas não se esquece das paisagens que passaram pela sua janela.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dos porquês, o começo e o que é crônica


Toda vez que eu acho que estou à beira de um ataque de nervos e que vou surtar sento na frente do computador e escrevo. Se não tem computador escrevo do mesmo jeito, em qualquer lugar sobre qualquer coisa que me incomode, que eu goste e que me faça ficar pensando. Já tive um blog antes. Ainda tenho este blog. Acho injusto e inútil apagar o passado simbolicamente simplesmente porque ele é passado e passado fica no passado . E clichê ou não, você é resultado de um monte de seu passado. Seja pro bem ou pro mal. Acreditem em mim, faço terapia há dois anos e tudo é culpa da minha infância .Enfim. Então essa sou eu: recém formada, aspirante a trabalhar com edição, sete vezes ex namorada, neurótica igual a todo mundo, carente aos domingos (e alguns dias aleatórios da semana também), fã de Dexter, leitora assídua de qualquer coisa, dona de um blog parado há meses, namorada há quase seis meses, impulsiva e com tendências à agressividade.
E esse é o meu blog que definitivamente não espero que ninguém leia, mas se ler espero que comentem, que vai falar sobre qualquer coisa exatamente como o meu outro blog abandonado, mas com a diferença sutil de que vou tentar não expor tanto as mazelas de minha vida, escreverei mais contos, falarei sobre as aventuras de ser uma recém formada, e enfim. Ainda não sei o que será disso aqui. Só sei que ele vai ser. Porque eu gosto bem mais deste presente. Lembrando ainda que isso é um blog em que eu pretendo escrever crônicas, apesar de nunca ter feito isso na vida. Segue então a definição de crônica:
“Crônica é um gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas páginas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o lêem.”
Ou seja, aparentemente eu talvez não escreva crônicas, segundo a Wikipedia. De todo modo, vou escrever coisas parecidas com contos, o que segundo a mesma Wikipédia pode ser definido como : “Crônica Narrativa: Tem por eixo uma história, o que a aproxima do conto. Pode ser narrado tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Texto lírico (poético, mesmo em prosa). Comprometido com fatos cotidianos ("banais", comuns).” Ou “Crônica Lírica: Linguagem poética e metafórica. Expressa o estado do espírito, as emoções do cronista diante de um fato de uma pessoa ou fenômeno.No geral as emoções do escritor”. Enfim, no caminho eu resolvo.
De todo modo por que alguém ia querer ler os meus textos de gênero indefinido? Bom, não sei. Não tenho nada de incomum. Não sou muito bonita pra escrever sobre dicas de beleza, não tenho senso de moda pra dar dicas sobre modas. Aliás, esqueçam essa coisa de dicas. Eu não sou boa em dicas. Não tenho experiência no meu campo de trabalho, então...Nada de incrível aconteceu comigo. Nem de trágico e emocionante... É pensando bem, eu até que sou bem normal pra querer ter um blog. Deixando de divagações , que comecem os trabalhos!