Da janela do ônibus ela observava o mundo. Cada pedacinho dele. O tempo ia passando e pela janela do ônibus ela continuava a olhar, e olhar e achar coisas novas. E no final, comendo um pedaço de bolo ela lembrava das estradas por onde tinha passado.
Se casou cedo, como era comum na época. Teve três filhos e um casamento feliz até a primeira traição. E a segunda, e na terceira, cansada de mentiras, e com a força que até hoje ela não sabe de onde tirou , mas que todo mundo vê estampada em seu rosto, se separou.
Ficou sozinha com sua dignidade e com seu amor próprio. Melhor escolha não podia mesmo ter feito. Arrumou um primeiro emprego, um segundo, um terceiro, foi promovida. Mudou de cidade. Fez amigos. Imagina, ela, fazendo amigos! Dançava toda sexta-feira, e aos sábados ia à praia. Enfrentou com garra notícias chocantes, fez-se de cega algumas vezes, foi dura outras tantas. Perdeu a fé na dor, e recuperou na mesma dor. Cresceu.
Virou quem hoje é mas não se esquece das paisagens que passaram pela sua janela.
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